terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

DOM JUAN APAIXONADO [Hélio Cervelin, (26 fev. 2024)]

 

 







Autor: Hélio Cervelin


Ela surgiu do nada e isso foi muito estranho 

Fui apanhado de surpresa, de onde vem essa mulher? 

Apareceu na minha frente achando-se minha dona 

Mas decidi descobrir o que ela realmente quer 

 

Muito estranha a mulher, mas gostei do desafio  

Normalmente sou em quem parte para a ação 

Mas desta vez foi diferente e me animei  

Para ver no que ia dar, deixei correr a situação 

 

Sem que eu demonstrasse entusiasmo, seguimos a conversa 

Ela tentou avançar mais, em um sério atrevimento 

Reservei-me sutilmente, então a fiz perceber 

Que não seria naquele encontro que a pediria em casamento 

 

Seu olhar é penetrante, seu mistério me arrepia 

E, intrigado diante de tudo, voltei a me perguntar 

De onde surgiu essa dama tão afoita e tão estranha 

Também achei muito estranho ela querer me conquistar 

 

Ao meditar sobre isso, algo chamou minha atenção 

Senti que a tensão presente me deixou mais preocupado 

Deve tratar-se de emissária da alguém que me conhece 

E que com ele, em outro plano, medi forças no passado 

 

Preciso ter muito cuidado em como me comportar 

Acompanhar seus passos, seus atos, suas artimanhas 

O que estará ela tramando agora contra mim? 

Toda essa preocupação já corrói minhas entranhas 

 

 

Senti que minha hora fatal havia chegado 

O vingador do futuro conseguiu me encontrar 

Fui subjugado por uma força desconhecida 

E todos os meus pecados, com certeza, irei pagar 

 

Eu que sempre desfrutei da liberdade total 

De ir e vir, não ir nem vir, não voltar ou não ficar 

Vejo que agora chegou a hora fatal 

De um Dom Juan ter alguém exclusivo para amar 

 

Quis o destino que assim fosse e assim se deu 

Hoje estou feliz, amando muito e sendo amado 

Dedicado a ela, sinto que estou em paz 

Tenho o verdadeiro amor que sempre havia procurado. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

DESEJO DE FALAR DE AMOR (Hélio Cervelin, 05 fev. 2024)

 











 Autor: Hélio Cervelin


Abateu-se sobre mim uma vontade enorme de falar 

De dizer palavras novas, serenas e singelas 

Fazer pronúncias suaves, doces e arrebatadoras 

Em um rompante de ternura, juntando as prosas mais belas 


Palavras que chamem muito, muito sua atenção 

Despertem o seu íntimo, pronunciando o seu ânimo 

Desatem as correntes que oprimem o seu coração 

E mandem para bem longe qualquer traço de desânimo 


Como em lindas melodias, nas palavras a leveza 

Afagando a harmonia, destacando o tom suave 

Contornando pensamentos agudos, tangendo a delicadeza 

Lembrando a suavidade do voo sutil de uma ave 


Quero ver o seu semblante serenar-se totalmente 

Trazendo de volta o sorriso que o seu rosto ilumina 

Vê-la voltar aos meus braços onde sempre se aninhou 

E me abraçar de novo com ternura de menina 


E assim adormeceremos com a inocência das crianças 

Pensamentos de vitória do amor sobre a desarmonia 

Nosso sono reparado, renovando as esperanças 

De um mundo cheio de amor, pleno de paz e harmonia.


sábado, 3 de fevereiro de 2024

Ipê Amarelo (Áurea Ávila Wolff)(05/12/2023)

 
















Autora: Áurea Ávila Wolff


Menina tão pequenina

Te conheci e te amei

Cores da natureza

Poesia em ti encontrei


Sentada na tua sombra

Sobre o tapete amarelo

Toda enfeitada de flores

 Que espetáculo tão belo


Muito tempo passou

Outras terras, outras flores

Muitos caminhos e trilhas

Azuis, vermelhos, mil cores


Tantas voltas pelo mundo

Dirigidas as passadas

Fazem o andante voltar 

Pisar nas mesmas pegadas

Com a neve nos cabelos

A bengala na mão 

Contemplo novamente

A beleza neste chão 


Galhos com barba de velho

Enfeitado de flores

 Pássaros fazem suas casas

E vivem os seus amores


O tapete continua 

a cobrir este chão 

És mais velho do que eu

Que te ama com paixão


Flor-amarela no cabelo

Fotografando ao meu lado

O filho honra a lembrança 

A história do passado. 

domingo, 7 de janeiro de 2024

MÃE NOSSA DE CADA DIA (para Eliza) Hélio Cervelin (26 dez 2023)








 

Autor: Hélio Cervelin


Mãe, sempre mãe, nesse castelo de flores e espinhos 

Sempre presente nas mais variadas atribuições 

Primeira palavra nas pacientes conversas orientadoras 

Última palavra em qualquer das discussões 

 

Tudo é permitido a uma mãe, menos omitir-se 

Mães e esposas, impossível “lavar as mãos” 

Há sempre que assumir um lado, doa a quem doer 

Mães são destino de muitas incompreensões 

 

A vida segue, dia após dia, ano após ano 

Em que a rotina é impossível de se impor 

Pois a cada dia que passa as crianças crescem 

E suas demandas diárias vêm a se sobrepor 

 

São fraldas, roupinhas, alimentos, calçados 

Escola, lições, catequeses, batizados 

Em pouco tempo puberdade, mudanças hormonais 

Paixonites por primeiros namorados 

 

Vestibular, viagens de estudos, trabalhos de campo 

A Faculdade, a busca da melhor profissão 

Quem esteve presente, todos os dias. no meio do fogo cruzado? 

A mãe de sempre, de corpo, alma e coração.

A Falta da Visão Humana (Hans Christian Wiedemann, in memorian) Jan_2020

 

 














Hans Christian Wiedemann


Falar em Visão humana

É mais que o órgão

É a percepção dos sentidos

Como Irmão de caminhada

Na nossa encarnação.

 

Olhar o Ser como criação

É de fato constatar

Que fazemos parte

da evolução do Planeta

Partindo da centelha mãe.

 

Vegetais são vivos com sentimento

Que limpam o Ar

Fornecendo ele puro

Doando seu corpo

Como alimento material.

 

Os animais são Seres

Que somam mobilidade

Podendo se deslocar

Sempre se reproduzindo

Ampliando sua atuação.

 

O Homem evoluiu

Dos Animais

Somando características

Como Livre Arbítrio e Razão

Desenvolvendo complexos.

 

Tendo Consciência

Falta ao Ser aprimorar

Seu reconhecimento como Ser

Respeitando seu Semelhante

Distribuindo Caridade.