Autor: Hélio Cervelin
Eu sou do céu,
do espaço, do universo aberto
Sou vento que
não cabe em nenhum mapa
Estrela que
insiste em ascender no incerto
Sonho que
atravessa a madrugada e se escapa
.
Você é o oposto
— exageradamente Terra,
Raízes firmes,
pés que não vacilam,
Chão que sustenta,
lógica que encerra
As tempestades
que em mim ainda cintilam.
Eu sou o que
voa, você é a que ancora.
Eu sou o que
imagina, e você calcula.a equação
Enquanto eu me
perco no que o infinito aflora,
Você traduz o
mundo em linha, regra e fração
.
E talvez por
isso nosso amor caminhe no fio da navalha,
Entre o céu que
me chama e o chão que te prende.
É belo, é
intenso, mas queima qual fornalha
Um futuro
incerto que só o tempo entende.