sexta-feira, 27 de março de 2020

DEUS (Hans Christian Wiedemann)



 
Autor: Hans Christian Wiedemann


Deus é um conceito
Derivado da necessidade
De expressar um sentimento
Profundamente inconsciente
Faltando concretizar.

O entendimento
Está acima do pensar
Por ser imaterial
Faltando acesso
À sua existência do fato.

Sua concepção
Pertence a cada um
Inexistindo vernáculos
Expressando o Todo
Talvez Emoções.

Como sentimentos
Sentimos leveza
Podendo ser algo sutil
Percebendo o Integral
De todas as Vidas.

Perceber o Divino
É sentir algo  inexplicável
Incapaz de descrevermos
Saindo do coração
Como uma Iluminação.


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quarta-feira, 11 de março de 2020

MINHA VIAGEM PARA O FIM DO MUNDO (Delvani Silveira)



Autora: Delvani Silveira

Chegamos ao aeroporto de Ushuaia  às 8 horas da manhã.  Viemos de um voo que saiu de Buenos Aires  e durou cerca de 3 horas e 30 minutos. O  Avião estava lotado.  Encontramos um aeroporto  bem movimentado. É o aeroporto internacional mais ao sul do mundo, que está situado na cidade mais austral do mundo como dizem os argentinos.  Tivemos a sorte de pegar um taxista  que gostava de conversar e foi nos mostrando e contando um pouco da história do lugar que estamos curiosos para conhecer.  O clima frio já nos mostra sua inconstância logo na chegada.  Frio sempre, embora fosse janeiro: 5°C  foi a temperatura média que pegamos por lá.  Chuva fina, sol ou tempo nublado com muitas nuvens e tudo pode mudar de uma hora para outra. A calefação em todos os ambientes encanta os brasileiros que lotam as cafeterias  e restaurantes da cidade. 
Ushuaia está localizada no extremo sul  das  Américas e  é de onde partem as expedições para a Antártica que fica à 1000 km de distância. Possui uma população de aproximadamente 60.000 habitantes. O nome provém do idioma indígena Yagan, USHU +AIA que significa Fundo + baia, ou seja, Baia profunda. O primeiro registro escrito da existência de Ushuaia  é de 1520, e  foi  feito pelo navegador português  Fernão  Magalhães,  que buscava um novo caminho para as Índias que não o obrigasse a contornar a África.
Chamou  a sua atenção as inúmeras fogueiras acessas nas margens do estreito  e  por isso  a batizou de  TERRA DE FOGO. Pouco depois se constatou  que eram nativos da ilha que viviam nus  e as fogueiras era o método que usavam para se manterem aquecidos.  A viagem  obteve o sucesso desejado, pois comprovou a existência  de um canal que ligava o Pacífico ao Atlântico e foi batizado com seu nome (estreito de Magalhães).  Até 1914, quando foi construído o canal do Panamá,  esta foi a principal rota de navegação entre os oceanos.
Em 1902, na tentativa de povoar esta região, o governo Argentino começou a construção de um  presídio.  Os próprios presos construíram o presídio. As dificuldades logísticas  eram imensas. O frio e a neve eram companheiros permanentes.  Para a extração de lenha de um bosque que ficava a  cerca de 25km de distância  foi construído um trilho de madeira onde pequenos vagões  com tração animal  carregavam pedra, areia e especialmente madeira. Somente em 1909  os presos puderam  usufruir desse transporte, quando os trilhos foram adaptados e uma locomotiva seria usada para levar e trazer os encarcerados. Para este presídio seriam  enviados   presos condenados por crimes brutais que eram reincidentes.  Nos anos finais de seu funcionamento, recebeu também presos políticos.
Havia um programa de alfabetização dos presos, pois a grande maioria era analfabeta e também recebiam um salário  pelo trabalho que  faziam na construção do  próprio presídio, nas oficinas  fabricando sapatos, roupas, artesanatos  ou cortando lenha no agora denominado parque Nacional  Terra do Fogo.  
Com a construção do presídio  vieram algumas empresas necessárias para a própria manutenção do presídio como uma alfaiataria, uma sapataria, um ateliê de fotografia, uma farmácia e mais tarde um pouco, vieram os bancos e  os hotéis. Assim começou a colonização deste ponto distante no mapa.
As fugas frustradas  fazem parte da história de Ushuaia.  Muitos  tentavam fugir, mas voltavam ou eram encontrados pelos soldados,  quase mortos  de frio e fome. Eram duramente castigados. O pior de todos os castigos era ficarem sem sair do presídio para trabalhar,  pois tinham que permanecer na pequena cela gelada sem comunicação com o mundo lá fora.  Após cumprir sua pena os presos, sem terem para onde ir, acabavam ficando por lá. Há relatos de muito sofrimento, maus tratos e tortura.  Em 1947  um decreto presidencial assinado por Juan Domingo Perón fechava o presídio,  alegando razões humanitárias.  Toda a estrutura do presídio foi então transformada em Base Naval. Hoje, há um museu marítimo que está inserido no antigo presídio e conta a história do próprio presídio e da cidade.
Trem do Fim do Mundo -   os trilhos que antes os encarcerados percorriam para cortar lenha, hoje foi reconstruído e reconstituído como era naquela época, e com uma réplica do trem fazendo os últimos 07 km do percurso, os milhares de turistas podem fazer este passeio na locomotiva  que solta muita fumaça e conta muita história.
A Navegação no canal do Beagle  é um passeio obrigatório.  Tem inúmeras opções de passeios como, por exemplo, ir até   a  pingüinera    e caminhar entre os animais, podendo  tirar  fotos com eles   ou navegar até o farol  passando por inúmeros  habitat de animais.  Além disso, pode-se mergulhar com guia no canal gelado ou dar uma volta de helicóptero.
Depois de Ushuaia  fomos até El Calafate  para visitar a maior geleira em extensão horizontal do mundo: o glaciar Perito Moreno, que se encontra constantemente em evolução.  Para visitar o glaciar é necessário ir de ônibus, ou de  carro,  partindo da cidade de El Calafate, que  dista 80km do glaciar.   O Parque Nacional dos Glaciares conta com inúmeras geleiras, entre  elas  estão Perito Moreno, Upsala, O`Nelli  entre outras, formando a 3ª  maior reserva de água doce do mundo, atrás somente da Antártica  e da Groenlândia. 
El Calafate era, a princípio, um ponto perdido no meio do gelo, que negociantes de lã de ovelhas deixavam depositados  ali   seus produtos.  A origem do nome é em homenagem a um pequeno fruto que dá na região, de nome calafate. Trata-se de um arbusto perene, sempre verde, que floresce de outubro a janeiro, dando  um pequeno fruto doce e escuro, que serve de  alimento e abrigo para os pássaros no rigor do inverno.
El Calafate possui um aeroporto moderno e inúmeras empresas de turismo. A cidade conta com 21.000 habitantes.  Lugar lindo, cidadezinha encantadora cravada no meio de montanhas de pedras com pouquíssima vegetação rasteira.  No  meio do nada surge esta  cidadezinha organizada, limpa, moderna, que irradia luz.  Estivemos lá em janeiro e o sol brilhava até  às 10 horas da noite.    
O que não gostei em Ushuaia? Bom... Sendo eu vegetariana, fiquei horrorizada com um  dos pratos típicos de lá  que é a Centolla.  Trata-se de um caranguejo gigante, que é encontrado nas águas gélidas daquele lugar e que pode pesar até 4 quilos.   Inúmeros restaurantes  mantêm enormes  aquários  com esses animais  vivos  para o   cliente escolher qual será a vítima.  Há filas de espera nos restaurantes.   Outro prato  típico é o Cordeiro Patagônico,  que, depois de abatido e preparado, é  assado  aberto e amarrado em varas próximo de uma grande fogueira, que geralmente fica exposta ao público.  Há também a Merluza negra, conhecida  também como bacalhau da profundidade e é encontrada especialmente nas águas geladas da Antártica. É um peixe  que pode ter até dois metros de comprimento e  pesar  mais de 100 quilos.
Para finalizar, de Ushuaia, ficou a lembrança do Canal Beagle, que ficava em frente ao meu hotel, com seus navios e barcos atracados, de seu clima inesperadamente surpreendente,  do  trem do fim   do mundo e das muitas  histórias do presídio, que foi o impulso para o nascimento de Ushuaia.  De El Calafate ficou a emoção de andar pelas passarelas  do Perito Moreno e  da  navegação  para chegar ainda mais perto daquele  paredão de gelo.  Foi uma emoção indescritível.

sábado, 7 de março de 2020

ONTEM E HOJE (Áurea Wolff, 04mar2020)



Autora: Áurea Wolff

Quero escrever o que sinto dentro do peito
Mas não encontro palavras nem meios para expressar
Escuto, faço meditações, leio pensamentos
E por, muitos entraves, com esforço consigo arriscar

Concebida formação e história muito distante
Com poesia, encanto, pureza, valores reais e limpos
Corre o caminho florido com música suave e harmoniosa
Lindas cores, romance e sonhos correndo nos campos

O tempo correu rápido, nem se sabe como,
Passaram-se muitos e muitos anos, com chuva e com sol
Aos trancos e barrancos tudo foi mudando
Trocando lindas noites de luar pelo moderno farol

Do tempo lento que se levava pra saber as notícias,
Boas ou tristes, do mundo inteiro, mentira ou verdade
Passou com a tecnologia a ser presença aqui e agora a cada instante
Trazendo pra perto o que está longe, o que é real, o que é fantasia, ou é crueldade

Lembrando  dos vestidos rodados, dos salões, das domingueiras, das valsas
Dos namorados nas janelas, dos beijos sonhados ou roubados,
As lembranças românticas de saudades enchem o coração
E  nos levam a pensar que eram eles os tempos encantados

Olhando para o que temos agora, conforto, cidades, carros,
Estradas iluminadas, asfaltadas, pessoas indo e vindo, vivendo      cada um a sua realidade
Vemos diante de nós um mundo novo que aparece, se descortina   e vai em frente
Dando  a  cada ser  em sua liberdade uma nova identidade

Em cada curva do nosso caminho em cada tempo, cada estação
O frio e o calor estão presentes, assim como as tempestades e as noites de luar .
Nos tempos antigos a fé, a esperança e o amor eram vividos sem palavras
Nos novos tempos o desafio é  cultivar o amor,  fazer o amor crescer, se manifestar e pelo mundo se espalhar. 




quarta-feira, 4 de março de 2020

ANGÚSTIAS DERRAMADAS (Hélio Cervelin , 03 mar 2020)




Autor: Hélio Cervelin

Sinto que devo externar, urgentemente
O que sobrecarrega o fundo da minha alma
Como forma de me sentir mais vivo, pungente
Fecundar os meus dias, com ânimo e alegria
E da agitação severa, buscar a brisa calma

Tenho tantas coisas guardadas dentro de mim
Em ânsia por aflorar e apresentar-se ao mundo  
E todas as angústias derramar
Como jarras transbordantes de águas turvas
Pesos que nos oprimem a cada um de nós
Dar à luz ao trovão, rasgar o ar com nossa voz

Dizer, expor, falar, gritar, enfim
É como o desabrochar de uma rosa
Com suas pétalas de seda e seus espinhos discretos
Tal qual os guardiões de um tesouro
Que vendem suas vidas a peso de ouro
Ao abandonarem seus compartimentos secretos

O desejo é sempre dar lugar ao belo
Transparecer o doce, em tênue suavidade
E só apresentar as baionetas caladas
Em caso de extrema necessidade

Pois tudo na alma se mistura
O singelo, o puro, o formoso
Mas, disfarçados entre os véus de ternura
Escondem-se o ácido, o triste, o espinhoso

Suspirar profunda e ansiosamente
Olhar para o céu e buscar a inspiração
A vida segue esse mistério que nos desafia

Colocar ordem em nossa confusa mente
É momento de aliviar o coração
Mais um pouco, e amanhece, é outro dia.



DO TUDO AO NADA (Wanderley Ribeiro da Costa)


 

Autor: Wanderley Ribeiro da Costa

Lá pelas tantas,
em mim bateu uns tantos,
Que de tão tontos,
me deixou tão tonto.
Era tanta do tanto,
que muito pouco,
quase em mim ficou tão pouco.
Vendo o todo,
e me afastando do tudo,
o todo me pareceu pouco,
e quase nada ficou,
deste todo que restou.
Mexendo as ventas ao vento,
me atinei da  desimportância de tudo,
e que nada me tocava ao fundo.
Respirei tranquilo,
assentei meu passo,
reduzi a quase nada,
o anseio do todo,
mergulhado no tudo.
Relutante, aquietei um lado,
porque do outro, o mundo todo,
impiedosamente efervescia.
"Que nada!", alguém dizia,
isso tudo em nada se dará,
e o tudo que todos têm,
não será mantido no além.
A ilusão permanente, 
estática, te arrebatará,
a inconstância de tudo, lunático te deixará.
Pensando assim, e bem assim, me arremesso ao nada,
e me reconecto ao recomeço sem fim,
me sentindo tão perto,
e ao mesmo tempo tão longe, de mim.

domingo, 1 de março de 2020

ÁGUAS PASSADAS (Hans Christian Wiedemann)



Autor: Hans Christian Wiedemann

Águas passadas
Deixam de mover moinhos.
É um dito do povo
Expressando a sabedoria popular
Desde o passado.

A imagem criada
É a de que o passado
Deixa de ser garantia
Para a vida atual
Devendo nos renovarmos.

O Homem gosta de usar
Fatos históricos
Para conseguir privilégios
Na existência atual
Sem esforço adicional.

Águas passadas podem ensinar
Precisando de aplicação
No Momento atual
Para resultarem em sucesso
Para agora e talvez amanhã.

A Vida mostra
Que temos um passado
Precisando investir hoje
Melhorando o nosso perfil
Agradecendo para o Amanhã.

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