sábado, 7 de março de 2020

ONTEM E HOJE (Áurea Wolff, 04mar2020)



Autora: Áurea Wolff

Quero escrever o que sinto dentro do peito
Mas não encontro palavras nem meios para expressar
Escuto, faço meditações, leio pensamentos
E por, muitos entraves, com esforço consigo arriscar

Concebida formação e história muito distante
Com poesia, encanto, pureza, valores reais e limpos
Corre o caminho florido com música suave e harmoniosa
Lindas cores, romance e sonhos correndo nos campos

O tempo correu rápido, nem se sabe como,
Passaram-se muitos e muitos anos, com chuva e com sol
Aos trancos e barrancos tudo foi mudando
Trocando lindas noites de luar pelo moderno farol

Do tempo lento que se levava pra saber as notícias,
Boas ou tristes, do mundo inteiro, mentira ou verdade
Passou com a tecnologia a ser presença aqui e agora a cada instante
Trazendo pra perto o que está longe, o que é real, o que é fantasia, ou é crueldade

Lembrando  dos vestidos rodados, dos salões, das domingueiras, das valsas
Dos namorados nas janelas, dos beijos sonhados ou roubados,
As lembranças românticas de saudades enchem o coração
E  nos levam a pensar que eram eles os tempos encantados

Olhando para o que temos agora, conforto, cidades, carros,
Estradas iluminadas, asfaltadas, pessoas indo e vindo, vivendo      cada um a sua realidade
Vemos diante de nós um mundo novo que aparece, se descortina   e vai em frente
Dando  a  cada ser  em sua liberdade uma nova identidade

Em cada curva do nosso caminho em cada tempo, cada estação
O frio e o calor estão presentes, assim como as tempestades e as noites de luar .
Nos tempos antigos a fé, a esperança e o amor eram vividos sem palavras
Nos novos tempos o desafio é  cultivar o amor,  fazer o amor crescer, se manifestar e pelo mundo se espalhar. 




quarta-feira, 4 de março de 2020

ANGÚSTIAS DERRAMADAS (Hélio Cervelin , 03 mar 2020)




Autor: Hélio Cervelin

Sinto que devo externar, urgentemente
O que sobrecarrega o fundo da minha alma
Como forma de me sentir mais vivo, pungente
Fecundar os meus dias, com ânimo e alegria
E da agitação severa, buscar a brisa calma

Tenho tantas coisas guardadas dentro de mim
Em ânsia por aflorar e apresentar-se ao mundo  
E todas as angústias derramar
Como jarras transbordantes de águas turvas
Pesos que nos oprimem a cada um de nós
Dar à luz ao trovão, rasgar o ar com nossa voz

Dizer, expor, falar, gritar, enfim
É como o desabrochar de uma rosa
Com suas pétalas de seda e seus espinhos discretos
Tal qual os guardiões de um tesouro
Que vendem suas vidas a peso de ouro
Ao abandonarem seus compartimentos secretos

O desejo é sempre dar lugar ao belo
Transparecer o doce, em tênue suavidade
E só apresentar as baionetas caladas
Em caso de extrema necessidade

Pois tudo na alma se mistura
O singelo, o puro, o formoso
Mas, disfarçados entre os véus de ternura
Escondem-se o ácido, o triste, o espinhoso

Suspirar profunda e ansiosamente
Olhar para o céu e buscar a inspiração
A vida segue esse mistério que nos desafia

Colocar ordem em nossa confusa mente
É momento de aliviar o coração
Mais um pouco, e amanhece, é outro dia.



DO TUDO AO NADA (Wanderley Ribeiro da Costa)


 

Autor: Wanderley Ribeiro da Costa

Lá pelas tantas,
em mim bateu uns tantos,
Que de tão tontos,
me deixou tão tonto.
Era tanta do tanto,
que muito pouco,
quase em mim ficou tão pouco.
Vendo o todo,
e me afastando do tudo,
o todo me pareceu pouco,
e quase nada ficou,
deste todo que restou.
Mexendo as ventas ao vento,
me atinei da  desimportância de tudo,
e que nada me tocava ao fundo.
Respirei tranquilo,
assentei meu passo,
reduzi a quase nada,
o anseio do todo,
mergulhado no tudo.
Relutante, aquietei um lado,
porque do outro, o mundo todo,
impiedosamente efervescia.
"Que nada!", alguém dizia,
isso tudo em nada se dará,
e o tudo que todos têm,
não será mantido no além.
A ilusão permanente, 
estática, te arrebatará,
a inconstância de tudo, lunático te deixará.
Pensando assim, e bem assim, me arremesso ao nada,
e me reconecto ao recomeço sem fim,
me sentindo tão perto,
e ao mesmo tempo tão longe, de mim.

domingo, 1 de março de 2020

ÁGUAS PASSADAS (Hans Christian Wiedemann)



Autor: Hans Christian Wiedemann

Águas passadas
Deixam de mover moinhos.
É um dito do povo
Expressando a sabedoria popular
Desde o passado.

A imagem criada
É a de que o passado
Deixa de ser garantia
Para a vida atual
Devendo nos renovarmos.

O Homem gosta de usar
Fatos históricos
Para conseguir privilégios
Na existência atual
Sem esforço adicional.

Águas passadas podem ensinar
Precisando de aplicação
No Momento atual
Para resultarem em sucesso
Para agora e talvez amanhã.

A Vida mostra
Que temos um passado
Precisando investir hoje
Melhorando o nosso perfil
Agradecendo para o Amanhã.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

LÍQUIDOS DE VIDA E MORTE ( Hélio Cervelin, 17 Jun 2020)



Autor: Hélio Cervelin
 
A vida transcorre de forma determinada
Somos frutos do encontro dos corações
Dentro ou fora das normas aprovadas
Na união reprodutiva das secreções

Indesejáveis frustrações amorosas
Cessam os beijos que tantos líquidos trocam
Lágrimas de dor escorrem volumosas
Que um rio de secreções provocam

Nas chagas do nosso corpo ferido
São as secreções que mansamente escorrem
Abrindo espaço para as cicatrizes
No sacrifício das células que morrem

Especialistas neste tema são as mães
Que embalam seus bebês, dedicadas
Quantas secreções manipulam
Nas tantas e tantas peças trocadas

Homens  altivos, quando agredidos reagem
Cuspindo no rosto dos seus desafetos
A saliva também é lubrificante eventual
Nos  furtivos encontros secretos

Dos ferimentos, o sangue escorre
Liberado pelo corpo, até poder estancar
Ao perder a capacidade de retenção
Tenta com valentia se regenerar

Quando a vida se esvai por completo
Dor e prostração fazem-se nítidos
E o corpo jazendo sem vida
Esvai pela secreção os seus preciosos líquidos

Cristo, no martírio, seu suor secretou
Pelos acoites seu sangue verteu
E na lança cravada em seu peito
Foi  por nós que o seu sangue escorreu

Lágrimas deslizam dos olhos aflitos
Escorre o sangue das dolorosas feridas
São as secreções sempre presentes
No início e no fim de nossas vidas

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

ANIMAL HUMANO (Hans Christian Wiedemann)



Autor: Hans Christian Wiedemann

Somos Animais
Muito pouco humanos
Dotados de Ego
Com falsa liberdade
Nunca sabendo a verdade.

Somos Humanos
Muito mais animais
Usando a razão
Invertendo valores
Escondendo o conhecido.

Andamos eretos
Dormimos deitados
Libertando o espírito
Prendendo a mente
Disfarçando o corpo.

Comemos as plantas
Que nutrem o planeta
Limpando o Ar
Coletando a Água
Consumindo dejetos.

Matamos animais
Impedindo o equilíbrio
Poluindo o Planeta
Desejando o Universo
Procurando um Lar.

Acesse o meu  blog         http:\\vamospensaravida.blogspot.com.br


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

ANGÚSTIA SEM FIM (Hélio Cervelin, 02 Fev 2020)



Autor: Hélio Cervelin

O que fazer para transformar um dia triste e torná-lo animado?
Mudar o suco ácido do limão em uma refrescante limonada?
O que fazer para anular as más notícias que invadem nossa vida, diariamente?
Como suportar o mundo e aceitar suas mazelas sem morrer internamente?

Por que há tantas perguntas que nunca nos abandonam?
O que vim aqui fazer? Qual é o sentido da vida?
Por que não somos felizes, pois sempre nos falta algo?
Por que é preciso viver e morrer, numa existência tão sofrida?

Quantos tipos de sofrimentos existem neste mundo?
Por que há tanta fome, miséria e escravidão?
Por que alguns oprimem valendo-se do sobrenome?
Por que é tão difícil amparar o nosso irmão?

Por que os maus existem e aos bons se encontram misturados?
Por que vivemos juntos e não podemos viver separados?
Por que essa nossa aldeia é tão densa e tão global?
Por que é impossível separar o Bem do Mal?

Por que os que combatem o Mal são sempre maltratados?
Por que os covardes vivem bem e são temidos, bajulados?
Por que é tão difícil ao Bem derrotar o Mal?
Por que se vê tanto sofrimento ao olhar pra qualquer lado?

Por que os bens materiais não são divididos entre todos?
Por que existem tantas ovelhas e tantos lobos ferozes?
Por que tantos se submetem e não reclamam da opressão?
Por que tantos permitem que os outros sejam seus algozes?

Por que nascemos assim, tão fracos e ignorantes?
Por que é tão difícil ganhar um lugar na sociedade?
Por que se leva tanto tempo pra adquirir toda a experiência?
Por que a ampla sabedoria só vem com a senilidade?

Por que são tão variados os níveis de consciência?
Por que a homogeneidade dificilmente se instala?
Por que criticamos quem ama, beija, acaricia?
Por que achamos normal o tapa, o soco, a bala?

Por que aos amantes lhes damos condenação?
Por que colocamos rótulos em algumas formas de amar?
Por que condecoramos os soldados que mais matam?
Por que não damos medalhas aos que mais sabem amar?