terça-feira, 5 de janeiro de 2021

SONHAR O IMPOSSÍVEL Hélio Cervelin, (04 Jan 2021)

 

        















Autor: Hélio Cervelin


Sonhar, sempre é possível sonhar

Cantar faz bem e deve-se sempre cantar

E sorrir todos os dias, mesmo no irrisível

Chorar, só quando não dá mais pra segurar


Rezar, não apenas um terço, mas um rosário inteiro

Refletir sobre as contas, dedilhando uma a uma

Para esmagar as angústias represadas

Como a onda que bate e se desfaz na bruma


Sonhar, quando o sonho é singelo

E que, por isso, passível de alcançar

É muito pouco, é preciso querer mais

A realidade fria é algo a aquebrantar


Cantar! Cantar pra ela as mais doces melodias

Aquecer o sangue e provocar agitação

É uma atitude que afasta as melancolias

Faz bem à alma e acelera o coração


Pensar! Pensar nela com muita força e ternura

Acreditar que o amor vai logo acontecer

Embora tudo possa ser uma utopia

É preciso inventar novas razões para viver






quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

DOR QUE SARA, DOR QUE CURA (Hélio Cervelin)

 














Autor: Hélio Cervelin


Suas mãos percorrem o meu corpo, firmemente

E eu sonho com a paz, que loucura!

Quero pôr fim ao pesadelo da dor insistente

Por isso aceito sofrer nesta mesa de tortura


Num misto de esperança e temor insano

Choro lágrimas quentes, sofridas

Quando você me toca com força e vigor

Nas partes mais magoadas, doloridas


Mas sei que o fazes com amor e atenção

Querendo as minhas dores acalmar

Que jeito estranho encontrei pra ser feliz

É preciso sofrer para sorrir e cantar


Feliz é você, que com ternura e destreza

Me maltrata, mas promove a minha cura

Que alivia aquelas dores lancinantes

Dores que quase me levam à loucura


Quero ter você por perto sempre

Mesmo que precise chorar e sofrer

Porque o meu caminho, com certeza

Preciso continuar a percorrer


As dores que sinto são fortes, muito fortes

E em toda a vida sempre as tenho sentido

Mas elas não podem ser comparadas

Às dores profundas de um amor perdido


Acabado o nosso encontro, por fim

Sinto o meu corpo leve a flutuar

Já ansiando sentir logo novas dores

Pra poder voltar a te encontrar.







quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

ETERNO AMOR (Hélio Cervelin, 08dez2020)


Autor: Hélio Cervelin


O meu eterno amor

Tem a pele morena

Longas e onduladas melenas

Ao vento a balançar


O meu eterno amor

Tem olhos negros, brejeiros

Sorriso largo e fagueiro

E muito carinho pra dar


O meu eterno amor

Continua à minha espera

De minha viagem à Terra

De onde em breve irei retornar


O meu eterno amor

É metade de mim mesmo

Sem ela eu vivo a esmo

É o todo que quero encontrar


O meu eterno amor

É amor incondicional

E me espera ansiosamente


Para com ela morar

Nas estrelas, nosso lar

Para sempre, eternamente







sábado, 5 de dezembro de 2020

MUITO OBRIGADA, MAMÃE! (Roberta Fontana de Faria)

 

Hoje, olhei pro mar, senti saudade de mim. Senti uma certa nostalgia ao me lembrar que um dia fui bebê, fui uma criança que chegou ao mundo, assim como todos nós.

Senti uma imensa alegria no corpo ao imaginar que um dia me maravilhei com as novas formas, cores, alimentos, pessoas, palavras; me maravilhava pelo novo, enquanto ser que está desbravando seu mundo e adentrando novos mundos; e senti saudades dessa sensação; e percebi que ainda tenho esse tempo dentro de mim, de poder me maravilhar com o novo, de olhar com novo olhar, agora, as coisas que já vi com os olhos, mas com olhos diferentes.

Pedi a mim mesma para cultivar em mim esse olhar de criança que descobre o novo, as novas possibilidades; pedi a mim mesma, para nutrir essa voz que me encoraja a seguir, mesmo caindo, a ter o ímpeto e desejo como da criança que fui, que queria dar os primeiros passos e me sentir firme e segura de si para caminhar sozinha, bem dona do meu nariz; ao mesmo tempo sabendo que, se os medos vierem, sei que recebi tanto amor e amparo, coragem e incentivos que aprendi que tudo isso está dentro de mim e posso me dar a mão ou pedir uma mão e seguir.

Lembrei da Mulher que me gerou e que me viu nascer, me viu bebê, me viu criança, adolescente, me vê crescer; senti uma profunda gratidão e lembrei que também fizeste teu percurso e o fazes até hoje; senti saudades de mim, da adolescente, e ao mesmo tempo em que me despedi, eu sei que as trago dentro de mim, a bebê, a criança, a adolescente; caminho em direção aos meus quarenta anos e me sinto diferente, me amo cada vez mais, me sinto cada vez mais eu. 

Grazie Mille, Mama!

terça-feira, 17 de novembro de 2020

LENDO OS OLHOS (Hans Christian Wiedemann)









Autor: Hans Christian Wiedemann

Os olhos traduzem

O estado da Alma

Mostrando a energia

Convertida pelo Ser

Enquadrando sentidos.


Os olhos mostram

O brilho do olhar

O desejo de viver

Enquanto encarnado

Mostrando a vida.


Os olhos expressam

O desejo de ser

O verdadeiro dono

De nossa vida

Exercendo nossas funções.


Os olhos desejam

Um Mundo feliz

Realizando vontades

Escondidas no Eu

Que pouco conhecemos.


Os olhos informam

O que passa na mente

Trazendo no brilho

A sua determinação

Percebida pelo Espírito.



sexta-feira, 30 de outubro de 2020

CADA UM CRIA SEU MUNDO (Hans Christian Wiedemann)

 














Autor: Hans Christian Wiedemann


Somos todos únicos

Replicando os Universos

Partes do infinito

Do qual faz parte a Terra

Tendo nosso Espaço.


Em cada encarnação

Criamos nosso mundo

Coerente com o momento

Tendo nossa memória

Ocupando nosso espaço.


Vivemos na terceira dimensão

Usamos o Tempo

Para nos localizarmos

Nas gerações

Estratificadas no DNA.


Em cada retorno

Criamos hábitos novos

Usando as tecnologias

Assimilando culturas

Deixando heranças.


Convivemos com o mundo externo

Tendo o nosso próprio

Criando conceitos

Seguindo regras

Procurando uma espiritualidade.



quinta-feira, 15 de outubro de 2020

A AGONIA DE UM PAÍS (Hélio Cervelin, 15 Out 2020)

 



 











Autor: Hélio Cervelin


De repente

Ele se fez presidente

Julga-se de alta patente

Mas é pouco mais que um recruta

 

Chegou lá feito trovão

Chamando a todos "ladrão"

Mas, a sua maior diversão

É lesar a pátria amada

 

Veio com toda a pilha

Trouxe consigo a família

Isolou o país feito uma ilha

E quer a população armada

 

É hora de fazer figa

E não fugir desta briga

Deixar de empurrar com a barriga

E achar uma saída honrada

 

Arrombar logo essa porta

Invertendo a ideia torta

Usar a palavra que corta

Antes de tudo se perder

 

Lutar por paz e saúde

Cuidar-se mais amiúde

Respeitar a negritude

Parar de matar e  morrer

 

Não aceitar mais degolas

Manter firmes as escolas

Rejeitar certas esmolas

E nossa pátria defender

 

Combater a vilania

Afastar essa agonia

Defender a soberania

E voltar a ter dignidade

 

E ainda neste ano

Pôr em prática um bom plano

Que afaste um governo  insano

Pra não perder a liberdade

  

Amenizar essa tragédia

Que já virou enciclopédia

Acordar a classe média

Dar à nação dignidade

 

E exigir mais cuidado

Com o  pobre aposentado

Não deixar ele de lado

Por dever de gratidão

 

E ter muito mais amor

Ao  pobre trabalhador

Que derrama rios de suor

Durante toda sua vida

 

Olhar o trabalhador rural

Sempre tratado tão mal

Labutando mais que o normal

E precisando mais guarida

 

Olhar para o funcionário

Que ganha mísero salário

Combater o marajá salafrário

E melhorar o atendimento

 

Fazer logo uma lista

De tanto capitalista

Que sonega a prazo e à vista

E desconhece o desalento

 

Preservar a Educação

Pois já estão errando a mão

Fazendo só confusão

Desprezando o conhecimento

 

Ele não gosta de estatais

Acha que temos demais

E a coisa que faz mais

É trocar riqueza por nada

 

Só pensa em arma, fuzil

Queimar florestas a mil

Rejeitar o amarelo e o anil

Pra ele o país é igual a nada.