segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

RECLAMAR OU AGRADECER? (Hélio Cervelin)

Autor: Hélio Cervelin
Após 42 anos dirigindo automóvel e atingir um acumulado de 15.120 dias sem acidentes preocupantes, agradeço imensamente ao meu Anjo da Guarda e às Forças do Universo que me protegem por não terem permitido que algum acidente grave me acontecesse nesse lapso de tempo. Tempo que pode ser considerado longo.
Nesse período, recebi alguns "presentes" de outros motoristas, geralmente em colisões traseiras (e bem "bobas"), mas que provocaram apenas estragos materiais não muito significativos: um argentino distraído, no trevo de Canasvieiras que não percebeu que a fila havia parado; um soldado dorminhoco, na mesma situação, na BR-282, em frente à estátua de "Nossa Senhora da Via Expressa" (nome dado por uma faxineira à Estátua da Liberdade colocada em frente a uma loja comercial da cidade - e que até um milagre de cura já proporcionou a ela!); um motorista afoito que deu marcha à ré no mesmo instante que eu, sendo que saímos de lados opostos da mesma rua (Joe Colaço) e batemos traseira com traseira. Algo espetacular, proporcionado pela pressa de ambos. Mas eu havia arrancado primeiro, que fique bem claro!
Houve outro amigo que errou os cálculos e, ao fazer o retorno com seu carro, "afundou" a porta do meu, que estava estacionado do outro lado da rua. Rua, esta, estreita demais para ele naquele momento.
Sem falar naqueles motoristas "assustadinhos" que não podem ver um sinal ficando amarelo e já param bruscamente, com medo da "fotografia" do Detran, o que nos obriga a "cantar pneus", com o coração saindo pela boca. Haja freio!
"Ainda bem" que roubaram todo o dinheiro da Prefeitura, conforme constatado na operação Ave de Rapina, e não sobraram recursos para a renovação do contrato com as empresas de "pardais".  Aquilo era um tremendo caça-níquel! Por todos os lados!
Após dez anos (3.650 dias) sem triscar em alguém (a última emoção havia acontecido em frente ao bar Santa Hora, onde uma motorista ficou indecisa (algo muito comum) na hora de "desocupar" o canteiro central da Avenida Madre Benvenuta, por onde eu iria passar).
Depois desse período de "repouso", consegui dar uma de "artista" e, nesta terça-feira, dia 07 de fevereiro de 2017, (bem antes de o Barcelona jogar, portanto) consegui "fazer um Gol", abalroando um deles por trás, enquanto a motorista parava para, gentilmente, deixar passar uma pedestre. E, acreditem se quiserem: ela não me "meteu a boca", ou seja, não me xingou, no dizer dos Manezinhos da Ilha da Magia.
Existem alguns motoristas que são pródigos em dar prioridade aos pedestres. Às vezes o pedestre nem estava pensando em atravessar, mas, diante de tanta gentileza, perante um chamado tão insistente, sente-se forçado a atravessar naquele momento. Foram alguns segundos de distração imperdoáveis... E pá!
Felizmente sem ferimentos para ninguém. O seguro total é algo indispensável nos dias de hoje. É caro, mas é preciso tê-lo.
Diante desses acontecimentos, decidi fazer uma reflexão sobre isso.
Barbeiragens à parte, considero-me abençoado, uma vez que "pilotei" durante 3.650 dias nos últimos dez anos e só tive UM acidente! Isso nesse trânsito maluco de minha cidade, na qual existem muito mais automóveis que espaço para eles em nossas ruas!
Normalmente gostamos de lamuriar, lamentar nossas vicissitudes. E nunca nos lembramos de agradecer.
Mas, desta vez, quero fazer diferente: não quero culpar nenhum Anjo da Guarda distraído por UM acidente apenas, em tanto tempo. Até porque seria injusto. Antes disso, quero agradecer às Forças Cósmicas pelos 3.649 que circulei por essa cidade e pelas estradas, INCÓLUME!
Além do mais, um incidente menos grave serve para despertar nossos sensores de alerta e nos deixar atentos para as situações futuras, as quais poderiam ser mais comprometedoras.
Quero deixar o meu agradecimento por todos esses dias de proteção. E me desculpar para com a pessoa que foi por mim atingida, digamos que, sem contribuir para isso, pois cabe a quem vem de trás observar o que acontece na sua frente.  Ou será que "nada é por acaso"?
Muito Obrigado, meu bom Anjo da Guarda!

Muito obrigado às Forças Cósmicas que nos protegem todos os dias!

domingo, 10 de dezembro de 2017

GALÁXIAS (Wander Costa)

Autor: Wander Costa


Vivia na galáxia mais distante daqui.
Não sei se o azul cintilante, o brilho dourado dos seres ou a ânsia de conhecer novos mundos me atraíram para cá.
Na viagem ao desconhecido, várias paradas eu fiz, e em cada uma delas um novo conhecimento, um novo despertar.
Usando meus sentidos percebi que a cada célula que esbarrava trazia em si um valioso microcosmo. Com alguns fácil foi interagir, com outros intangível.
O fascínio da jornada estava justamente nestas experiências, e percebi que os corpos ásperos com os quais eu colidia iam me polindo, transformando e enriquecendo minha experiência.
De pronto sentia, com o coração aberto, a grandeza e a beleza que cada um a mim se descortinava, e livre da minha arrogância primária, pude sentir em cada célula do meu corpo celestial o respeito e o amor que o outro a mim e a todos dirigia.
De longe minha avaliação sempre se mostrava previsível e protetora dos meus medos. Posto isto de lado, de perto desfrutei da incrível riqueza das diferentes facetas que compunham cada um.
Ainda em plena viagem explicativa me detive sobre alguns corpos luminosos, e feliz, me lancei aos outros, e sempre feliz me surpreendi com a infinita bondade e generosidade que este outro tem a me oferecer.
As diferenças, as "imperfeições" que tanto julgamos em nós e em outrem me têm causado um profundo sentimento de paz e amor.
Depois de desnudos das defesas nós nos propusemos  apenas a ser e estar.

BRUMAS DA ILUSÃO (Hélio Cervelin)

Autor: Hélio Cervelin


Tudo o que pensei ser um dia
Nunca logrei alcançar
O que pensei ter agora, sem medos
Escorre por  entre os meus dedos

O amor que embalava o meu ser
Desvanesceu-se no ar
Urge sufocar essa ilusão
Pra não mais sofrer, nem chorar

Minha alma chora sentida
Prisioneira da artimanha
Meu corpo, despedaçado
Rola as escarpas da montanha

Águas turvas, de lamacentas ilusões
Que se arrastam sinuosas
Sabendo qual rumo tomar

Sacudido por violentas ondas
Tudo o que sou ou tentei ser
Esvai-se nas brumas do mar

Música:CARUSO (Lucio Dala) Cantora: Lara Fabian.
https://www.facebook.com/100009389944315/videos/1925790327743947/

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

SALTA, LA LINDA (Laércio de Melo Duarte)



A arquitetura colonial de Salta 
parece ter saído dos contos fantásticos de Garcia Marques 

Nós que estivemos sob grande influência imigratória  européia posterior à colonização ibérica, não temos ideia do que seja uma nação de raça única. Sabe aquela piada onde um interlocutor diz ao outro "É tudo a mesma coisa" e recebe como resposta: "Mesma coisa é um caminhão cheio de japoneses".   É isso mesmo.  Na portaria do pequeno hotel em Cafayate, na escarpa inicial dos Andes Saltenhos, estava um francês tentando se comunicar, em inglês, com a indiazinha da recepção. Depois de acompanhar a tentativa de conversa, e bem metido que sou, tomei a tarefa de indagar ao francês se ele tinha certeza de ter pago os valores adiantados que alegava ter pago, e se quem recebeu era mesmo a moça ali defronte. Ele garantia que sim, e parecia sincero nas suas afirmações. Pergunta daqui, investiga dali, a recepcionista acaba descobrindo que foi uma camareira que recebeu o dinheiro e "esqueceu" de anotar na ficha do rapaz. Como poderia o pobre europeu saber que uma não era a outra, já que pareciam idênticas? Os mesmos olhos negros, o mesmo pelo finíssimo a contornar as suaves curvas da nuca,  coxas e braços, a mesma pele macia, os mesmos cabelos longos e pretos, os mesmos lábios carnudos .... ai,ai,ai ... Sim, além de parecerem-se iguais, são extremamente sensuais. Em geral as jovens são bunitinhas, baixinhas, peitudinhas e bundudinhas, mas também circulam aquelas que parecem modelos de revista, verdadeiras jóias eróticas, digo, exóticas, com seus 1,80 m de altura e corpos esculturais. 

Noventa e nove por cento da populacão de Salta é descendente de índios. Vinte e cinco por cento ainda vivem em tribos, falando exclusivamente a língua nativa Aymará, uma variação do inca Quechua, que comandavam o espetáculo na altura do ano 1400 desde os contrafortes andinos da Colômbia até a Patagônia.


Em dias claros no inverno, se  contempla a cordilheira
completamente nevada.


Neste e em outros aspectos, Salta é deliciosamente latino-americana. O caso do dinheiro que o francês adiantou e não obteve recibo é coisa rotineira, pois o nível de formalização da atividade econômica é muito precário. Você vai a um restaurante hoje, paga um preço. Amanhã pagará preço maior ou menor pelo mesmo serviço, a depender do humor do negociante ou do garçom.  O caso é que ele lhe apresenta a conta fechada "São 65 pesos". Eu respondo "Não é, não senhor." e explico que o filé com fritas sai por 28, o vinho é 15 e a salada 8, portanto, o total dá 51 e não é possível que estejam cobrando 30% de comissão. Então, na maior cara de pau, ele se faz de vítima: "Haaa, dá 45 pesos, tá bom!". Replico que "Não dou, não! Aqui está o correto, 55 pesos" e ambos fazemos as pazes.  


A argila avermelhada do solo
proporciona visões de rara beleza.

O Trem das Nuvens sai da estação de Salta
e corre no altiplano,
chegando a 5 mil metros acima do nível do mar.



Assim como em todos os demais países e estados da América Latina, é realmente tudo a mesma coisa, pois na Bolivia, Peru, Paraguai, Tucumán, Catamarca, Jujui e Salta, assim como Bahia, Amazonas, Pará, Maranhão e tantas outras sociedades,  quem manda é a elite branca e européia. Isso está impregnado há séculos na alma desses povos, tanto que eles já automatizaram o comportamento para a obediência simples e direta no dia a dia. Cena exemplar: o ônibus de Cafayate chega em Salta e forma-se um aglomerado em torno do maleiro (eles nunca organizam fila para nada, é uma zona total, parece a Bahia). O maleiro inicia a retirada das malas e as vai distribuindo conforme se apresente o dono. Achei razoável a ideia, por que otimiza o serviço dele. Mas, um cidadão de olhos e pele clara atravessa todo o aglomerado, apresenta seu tícket ao maleiro e este procura especificamente a mala do senhor branco. Não se ouve um pio na “fila”, além da minha revolta em espanhol macarrônico, que ninguém apoiou, nem com um simples olhar. Meu último recurso foi chamar o transgressor de “ignorante”, mas ele também não me dá a mínima. Pelo jeito, o ignorante sou eu.    
E na minha vez o maleiro ainda me pede uma gorjeta! 


Nos vales saltenhos se produz a melhor uva Torrontés do mundo. Ela foi desenvolvida em Bordeaux (França), mas foi em Cafayate que se tornou perfeita para a feitura dos
melhores vinhos brancos frutados, semelhante aos verdes do Minho (Portugal). Levemente gaseificados e pouco alcoólicos, pode-se bebê-los gelados, em várias ocasiões e maneiras. Visitar as várias cantinas e bodegas espalhadas pelo deserto
é uma aventura inesquecível. Quem foi um dia, vai sonhar um dia voltar.   Tin Tin !!! 


Salta foi fundada pelos exploradores de minas em Potosi (Bolívia), na altura do ano 1580. Eles precisavam de um ponto de paragem na viagem para o Rio de la Plata e sua saída para o oceano Atlântico. Houve grande influência andaluza moura de Granada e principalmente catalã, proveniente de Barcelona.  



Salta desempenhou papel fundamental na guerra de independência contra a Espanha. O saltenho general Guemes foi, junto com o correntino San Martin e o tucumano Belgrano, os grandes comandantes das tropas que se rebelaram contra o domínio colonial espanhol. A luta durou muitos anos e, antes de expulsar os espanhóis definitivamente para os lados da Bolívia em 1816, seis anos após a declaração de independência proclamada em Buenos Aires,  Guemes foi ferido em combate. Cavalgou ainda três dias e quando pressentiu a morte, ordenou que a tropa acampasse e preparou seu último churrasco gordo de gaúcho, justo na quebrada onde hoje está a Avenida Balcarce, local de diversão e arte, onde ficam as melhores "peñas" de Salta, verdadeiros galpões crioulos de onde sai o som "de las zambas", assim mesmo, no feminino, o ritmo ancestral da província. 







quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

NOSSO DEUS INTERIOR (Hélio Cervelin)


Autor: Hélio Cervelin

Algumas surpresas se nos apresentam ao analisarmos atentamente nossas vidas, entregando-nos ao exercício do recolhimento e da meditação.
Fatos considerados corriqueiros ou circunstanciais podem nos revelar a existência de uma "engenharia" do Divino para reorientar o rumo dos acontecimentos, os quais parecem nos afetar de forma cadenciada para nos proporcionar determinados benefícios.
Normalmente nos queixamos pelas coisas que nos acontecem, especialmente as que consideramos negativas ou prejudiciais, tais como os acidentes, as contrariedades, os revezes amorosos ou profissionais. Mas uma reflexão um pouco mais aprofundada nos indicará que tudo está determinado a seguir seu curso de forma a atingirmos um objetivo pré-determinado, e que, ao final, acabará nos favorecendo.
Segundo algumas filosofias baseadas na Astrologia, já ao nascermos, o fazemos no lugar adequado para que ocorra um encadeamento dos fatos, oriundos ou influenciados pelo nosso signo, forjando-nos certa personalidade. Segundo esse raciocínio, tudo é estabelecido para que passemos pelas situações de aprendizado consideradas imprescindíveis ao nosso crescimento físico, moral e mental, na busca de um objetivo específico pré-estabelecido no Plano Cósmico ou Espiritual.
Alguns eventos que nos fazem refletir e questionar são os acidentes, os quais acabam nos retirando de determinado lugar ou afastando-nos de uma dada situação, tudo parecendo ter sido feito para nos preservar. Um exemplo típico disso é quando a pessoa precisa viajar e tenta por todos os meios, fazendo às vezes o "impossível" para tomar determinado voo, sem conseguir embarcar. Pouco tempo depois fica sabendo que a aeronave caiu, ceifando a vida de todos os seus ocupantes.
O que seria isso? A mão divina nos afastando do perigo iminente?
Alguns acidentes nos remetem a hospitais ou clínicas de regeneração fisioterapêutica e podem nos abrir os olhos para o estado - às vezes lastimável - de abandono do nosso corpo, que, relegado a um segundo plano, vai se deteriorando aos poucos por falta de exercícios físicos adequados.
Nos aspectos corriqueiros de nossas vidas, um acidente com o nosso automóvel pode representar um alerta para a necessidade de trocarmos o veículo por outro mais novo, ou mesmo dispensar o mecânico que cuida dele, substituindo-o por outro, mais capacitado, geralmente com uma razoável economia de recursos e um acréscimo no componente segurança.
Um acidente doméstico pode nos colocar na imobilidade de uma cama, onde será possível fazer uma grande reflexão sobre os rumos que nossas vidas estão tomando, ao nos proporcionar leituras sadias e renovadoras - antes desprezadas - ao mesmo tempo em que poderemos passar a conhecer melhor a presteza e o carinho de nossos familiares, normalmente solícitos e dedicados a nos auxiliar na recuperação.
Outra vantagem pode ser o fato de passarmos a conhecer belas, atenciosas e competentes profissionais da fisioterapia. Ainda não se sabe por que, mas, via de regra, essas profissionais são lindas e atraentes garotas, perfeitos estimulantes à prática de uma saudável atividade física.
São muitos os mistérios que nos envolvem no percurso de nossas existências. O seu percalço de hoje pode ser a pavimentação de um caminho de prosperidade e sucesso, lá adiante.
Analisadas essas ponderações, revela-se inadiável que prestemos mais atenção aos acontecimentos e saibamos valorizar cada situação, pois todo obstáculo pode ser o rearranjo que corrige nosso rumo na direção da prosperidade e da realização de nosso Eu Interior, podendo colocar-nos no caminho da felicidade e da autorrealização.

FOLIA DE REIS (Delva Robles)

Autora: Delva Robles

O contato anual com a tradicional Folia de Reis fez parte de minha infância. Lembro-me de mamãe nos chacoalhar na cama para nos acordar dizendo: Levantem! Acordem! Santos Reis “tá" aí!.  
Tratava-se de homens humildes, moradores de sítios e fazendas vizinhas de onde morávamos, em Paranavaí, Noroeste do Paraná, que, em fins de dezembro e início de janeiro de cada ano, iniciavam uma peregrinação de visitas às casas da região.
O grupo, que se vestia com roupas coloridas e alegres, geralmente   era formado pelo mestre da folia e pelos foliões. Entre os foliões havia os que usavam máscaras, o palhaço, os dançarinos - que faziam acrobacias na frente dos músicos - e os músicos, que tocavam sanfonas, gaitas, violas, tambores... 
Eles chegavam cantando e permaneciam cantando até papai abrir a porta, e então eles apresentavam a bandeira. E sempre com muito respeito pediam permissão para entrar na nossa casa.
Em algum momento, não me lembro se na chegada ou na saída, papai nos colocava de pé em cima de uma mesa para segurarmos a bandeira, feita em cetim brilhante com figuras estampadas, enquanto eles cantavam e dançavam, em louvor ao dono da casa e aos santos. E ao finalizar a cantiga, tinha a saudação feita pelo "mestre da folia", e repetida pelo restante do grupo:
- Vivam os Santos Reis!
- Viva N. Sra. Aparecida!
- Viva Jesus Cristo!
- Viva o dono da casa!
Para servir aos foliões e todos que acompanhavam a folia, mamãe preparava uma bela mesa, recheada de pães caseiros, linguiças, chouriços, torresmos, queijos, carnes, rosquinhas de pinga, mantecal e um bule quente de café e outro de leite. Além disso, sempre havia quentão e anisete.
Em um determinado momento da visita papai fazia um donativo para o grupo. Geralmente, as doações eram animais para serem sacrificados na festa que seria realizada no dia 06 de janeiro na casa do "mestre da folia" ou de algum outro morador da colônia. Todos seriam convidados. Bastava chegar.  
Na saída, havia o canto de despedida e agradecimento  pelos donativos. O líder do grupo iniciava a cantiga de agradecimento e de despedida, sempre em versos, e de improviso, e os demais membros do grupo repetiam os versos.
Simbolicamente, hoje eu sei que é a representação da visita dos três reis magos (Baltazar, Melquior e Gaspar)  ao Menino Jesus quando ele nasceu.
Trata-se de uma comemoração religiosa pertencente à igreja católica.  Por isso nas letras há referência à hóstia consagrada e ao Menino Jesus etc.
É uma herança cultural que herdamos dos espanhóis, a qual devemos incentivar para não deixá-la cair no esquecimento.

Quando ouço as músicas de Reis, entro na janela do passado e, por alguns momentos, sou aquela garotinha que segurava a bandeira verde de cetim e olhava com curiosidade para toda aquela folia que me encantava... A Folia de Reis.






terça-feira, 5 de dezembro de 2017

FLORIANÓPOLIS, ou Canção Praieira #4. (Laércio de Melo Duarte)



Compilação de LAÉRCIO DE MELO DUARTE

Eu considero esta canção como o verdadeiro hino de Florianópolis, embora a marcha rancho de Zininho também seja magnífica, mas não tem o mesmo brilho sereno nem a mesma aura de encantamento.
CANÇÃO PRAIEIRA #4 foi escrita por dois legítimos representantes da cultura que já se fez um dia na hoje denominada Ilha da Magia.
  • Professor Osvaldo Ferreira de Melo (1929-2011), catedrático e doutor em Direito, poeta e compositor musical nas horas vagas. Publicou dois álbuns contendo canções com letra e música de sua autoria, harmonizadas para canto coral e canto solo. Integrou a Orquestra Sinfônica de SC, a Associação Coral de Florianópolis e o Conjunto Orquestral Matizes Barrocos. Foi membro da Academia Catarinense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, da Academia Catarinense de Filosofia e membro do Instituto Histórico da Ilha Terceira, de Portugal. Foi pesquisador do Folclore Catarinense de Raízes Açorianas e recebeu a Comenda Infante Dom Henrique, outorgado pelo governo português, por seus estudos sobre música de origem Açoriana.
  • Professor Aníbal Nunes Pires (1915-1978), escritor, poeta, produtor de teatro e cinema, influenciou o pensar de várias gerações de intelectuais do Estado de SC. Humanista por excelência, fez do magistério um misto de profissão e vocação. Além disso, com sua experiência e cultura, ele agregou um grupo de intelectuais rebeldes e pouco disciplinados, o Grupo Sul, que trouxe novos padrões estéticos e literários para SC na década de 1940.
Ambos tinham ancestrais nas Ilhas dos Açores, mas amavam mesmo era a Ilha de Santa Catarina, descrevendo o espaço insular e os personagens ilhéus com singular criatividade e poesia.

A interpretação é de Neide Maria Rosa (1936-1994), considerada a melhor cantora que a cidade já teve. Mariarrosa, como era chamada, foi "amadrinhada" pela grande diva da música brasileira, Elizeth Cardoso, que a convenceu a ir com ela para o Rio de Janeiro (meados da década de 1960) e lá participar de vários shows, festivais, programas de rádio e televisão. Com a carreira em ascensão, no entanto, Mariarrosa decidiu repentinamente voltar a Florianópolis, onde tentou atuar como empresária, gerindo diversos negócios. Continuou cantando até seu falecimento em 1994.